Mais de 800 mil moçambicanos beneficiam de eletrificação fora da rede em 2024

Mais de 895 mil pessoas em Moçambique passaram a ter acesso à electricidade fora da rede nacional em 2024, graças à instalação de 3.930 mini-redes e 175.241 sistemas solares residenciais (SHS). A iniciativa insere-se no âmbito do programa Energia para Todos, executado pelo Fundo de Energia (FUNAE) em parceria com o Sector Privado.

A electrificação fora da rede representa um avanço crucial na expansão do acesso à energia, sobretudo nas zonas rurais e de difícil acesso, onde a extensão da rede nacional é tecnicamente ou economicamente inviável, e reforça o compromisso do Governo de Moçambique em alcançar o acesso universal até 2030, com 30% dessa meta a ser atingida por soluções fora da rede.

De acordo com dados do FUNAE, até o final de 2024 existiam 111 mini-redes instaladas, com capacidade combinada de 11,58 megawatts (MW). Destas, 89 estavam operacionais, enquanto 17 encontravam-se em construção e 5 em fase de implementação. As tecnologias utilizadas incluem sistemas solares fotovoltaicos, hídrico-solares e soluções híbridas adaptadas às condições de cada localidade.

A expansão do acesso à energia em Moçambique tem contado com significativo apoio de parceiros internacionais. O novo projecto ASCENT Mozambique, financiado pelo Banco Mundial e pelos governos da Suécia e Noruega, prevê um investimento de mais de 130 milhões de dólares em soluções fora da rede, redes convencionais e electrificação de infra-estruturas públicas como escolas e centros de saúde.

Este projecto sucede ao programa ProEnergia/Mozambique Energy for All, que entre 2019 e 2023 conectou mais de 2,5 milhões de pessoas, ultrapassando em quase o dobro a meta inicialmente prevista.

Entre os principais desafios identificados estão a manutenção das infra-estruturas, a formação de operadores locais e a regulação do sector. Para enfrentar essas questões, o Governo aprovou instrumentos legais como o Decreto 93/2021, que regula a electrificação fora da rede, e documentos normativos da ARENE, que definem concessões, tarifas e padrões técnicos.

Importa ainda referir que o FUNAE e os parceiros continuam a identificar novas localidades com potencial para mini-redes, com seis clusters prioritários mapeados em províncias como Tete, Niassa, Zambézia, Manica e Inhambane, onde os investimentos deverão ser intensificados nos próximos anos.